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Associação Portuguesa do Cavalo Árabe (APCA)
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1ª
PARTE – De onde vem o Puro-Sangue Árabe 2ª
PARTE –As características do Puro-Sangue Árabe
Onde encontrar nobreza sem arrogância, Puro-Sangue Árabe 1ª
parte: De
Onde Vem O Puro-Sangue Árabe ?
Entusiasta
que sou do mais extraordinário cavalo do mundo, melhorador de todas as raças
e senhor entre os senhores, há muito que me interesso pelo estudo da origem
da raça Puro-Sangue Árabe. Amador consciente li um primeiro tratado sobre o assunto e
a minha convicção não deixou dúvidas: a raça Puro-Sangue Árabe era
incontestavelmente de origem siríaca. Para completar os meus conhecimentos
achei que deveria ler outra obra. Com grande surpresa verifiquei que,
indubitavelmente, ele não era siríaco mas sim africano ! Um terceiro tratado
demonstrou-me rapidamente que o Puro-Sangue Árabe provinha da mesopotâmia,
outro que ele era mongol... Enfim, respeitáveis autores provaram-me
sucessivamente que o berço da raça se encontrava no Yemen,
na Turquia, na Rússia, no Egipto, etc... Atormentado, inquieto, indeciso, continuei a ler,
continuei a instruir-me. Fiz sonhos tumultuosos que colocavam a mais antiga
das raças equinas nos gelos antárcticos ou nas florestas amazónicas... E
depois, calma suprema e alegria inesperada, li numa obra: « O Cavalo Árabe
vem da Arábia ». Que descanso, mas que incerteza !
Cavalo caligráfico (versos do Coarão) 1819
A origem do Cavalo Árabe A
origem
da raça Puro-Sangue Árabe é muito discutível e mesmo com a maior boa vontade
não poderemos, nestas poucas páginas, analisar todas as teses existentes e que
se traduzem nalguns milhares de folhas.
Vamos no
entanto expor de uma maneira extremamente sucinta as principais teorias sobre o
assunto, começando pelas mais fantasistas, sejam aquelas que se baseiam na
lenda. I
- O Árabe legendário
Muitas religiões,
lendas, superstições, misticismos, fábulas ou tradições, fazem o elogio do
Cavalo Árabe, ao mesmo tempo que explicam a sua origem. Vejamos algumas das
mais curiosas: w
Quando Deus quis criar os cavalos, disse ao vento do Sul: « De ti vou criar uma criatura em que colocarei a força dos meus amigos,
o poder de aviltar os meus inimigos, a segurança dos que me obedecem ».
Deus
agarrou então daquele vento um punhado e Deus agarrou
então daquele vento um punhado e criou um cavalo a quem disse: « Nomeio-te
e crio-te Árabe. O bem ficará ligado às crinas do teu topete. Os troféus de
guerra serão conquistados graças ao teu dorso musculado. A força estará
sempre contigo. Eu, prefiro-te a todos os animais, de que te faço Senhor. Crio-te
amigo do teu dono. Quero-te capaz de voar sem asas, pois és destinado à
perseguição. Os homens que te montarão glorificar-me-ão e proclamarão a
minha grandeza. E quando eles me glorificarem tu glorificar-me-ás e proclamarás
a minha grandeza ». w
Um cavaleiro, perseguido pelos seus inimigos, montava uma égua cheia e prestes
a parir. Chamou-lhe El
Koheil El Adjouz (Koheil derivado de kôhl, quer dizer preto azulado, e Adjouz
de velha). Para muitos, foi este « o
primeiro Cavalo Árabe nobre » que deu origem à raça.
Já
longe dos seus perseguidores, apeou-se para deixar a égua descansar.
w
Maomé, profeta de Alá, acampou à borda de um ribeiro de águas límpidas e
frescas. Ordenou então
que numa cerca uma centena de éguas fosse voluntariamente privada de água
durante vários dias. Maomé mandou
depois abrir a vedação. As éguas começaram a correr para o ribeiro. O
profeta chamou-as. Só 5 vieram alegremente ter com o dono, antes de beberem.
Maomé abençoou-as. Para alguns
foram estas 5 éguas que deram origem a todos os cavalos Azil (de sangue puro).
São conhecidas pelo nome de Kamsa Al Razul Allah (As Cinco do Profeta) e
chamam-se: Habdah, Hamdaniya, Kohaila, Saklawiyah e Abbayah. O especialista
Karl R. Raswan está convencido que as 5 grandes famílias da raça Árabe hoje
mundialmente conhecidas descendem das Kamsa.
Ordenou
então que numa cerca uma centena de éguas fosse w
Os Beduínos nómadas descendentes de Ismael, filho de Abram e de Agar a serva
da sua esposa Sara, contam que Ismael, sábio acautelado, homem muito forte e
grande caçador, capturou um dia uma égua selvagem a quem chamou Kohl, por
causa da sua cor preta azulada. Estava cheia e
num bonito dia de primavera deu à luz um poldro que foi chamado Kôheilan (antílope
preto) e que se tornou num magnífico garanhão. Ismael
cruzou-o com a Kohl, sua mãe, e mais tarde com as irmãs. É assim que,
em acordo com esta lenda, Kôheilan seria o antepassado do Cavalo Árabe, dando
origem a uma linhagem que realmente chega aos nossos dias.
w
Salomão, filho de David, recebeu visitantes de Al-Azd, um país muito longínquo. Antes de saírem,
pediram alguns mantimentos. Em vez deles, Salomão ofereceu-lhes um cavalo e
disse-lhes: « Quando acamparem,
ponham sobre este cavalo um homem armado de uma lança. Ainda vocês não
acabaram de acender a fogueira, já o caçador estará de volta com alguma presa,
pois este cavalo é mais rápido que qualquer outro animal ». O povo de
Al-Azd baptizou-o Zad-El-Rakib (viático do cavaleiro). A tradição
árabe pretende que foi este o cavalo patriarca da raça e Ben Hodeil El
Andalusi (sec. XIV) escreve: « É a
ele que se deve a origem dos garanhões Árabes ».
“Ainda
vocês não acabaram de acender a fogueira, II
- O Árabe africano
Esta opinião
foi defendida, no princípio do nosso século, por Reimach, Mercier, Lombard e
Ridgeway. Para estes estudiosos a Península Arábica não possuiria cavalos e o
Árabe encontraria a sua origem no continente africano, como o confirmam certos
textos antigos e de tradição Árabe.
Efectivamente,
sabe-se por exemplo que Salomão, como seu pai David, tinha uma coudelaria célebre
cujos cavalos vinham do Egipto. Ora, como dissemos, para muitos autores, o
primeiro garanhão Árabe foi Zad-El-Rakib, que pertencia ao Rei Salomão.
Por outro lado,
entre a Etiópia e o Yemen, houve sempre contactos directos que levaram muitos
cavalos africanos para a Arábia.
Ridgeway e
Lombard consideram que os primeiros garanhões da raça faziam parte do espólio
roubado aos berberes pelos árabes muçulmanos, quando da conquista do Magreb.
Um dos
principais inimigos destas teorias foi Sir Theodore A. Cook, que afirma que as
suas investigações provaram que é o cavalo berbere, bem como o turco, que vêm
do Cavalo Árabe original e não o contrário.
Outros
opositores à teoria africana invocam as últimas descobertas arqueológicas,
que provam a existência de cavalos na Península Arábica há muitos milhares
de anos. Na obra de Raswan, podemos ler: « Os
escritores que afirmaram que não existiam cavalos na Arábia antes da época de
Maomé, não fizeram mais que manifestar a grandeza da sua ignorância, pois os
nossos museus e bibliotecas contêm centenas de provas do contrário ».
III
- O Árabe asiático
Os eruditos
William Youatt, Duhousset, Azpetia de Moros e Pietrement afirmam que segundo os
autores da antiguidade, não havia cavalos na Arábia antes da nossa era. Assim,
os Cavalos Árabes teriam a sua origem na Ásia Central, na bacia do Syr Daria,
actualmente ex-URSS, a leste de Uzbequistão, e teriam em seguida passado para a
Península Arábica através da Mesopotâmia. Provam-no, por exemplo, os
baixos-relevos assírios, com representações de cavalos de perfil côncavo.
Os
Cavalos Árabes teriam a sua origem na IV
- O Árabe da Arábia
Muitos autores
defendem energicamente o Árabe da Arábia. Um dos mais fanáticos é Lady
Wentworth, autora de muitos trabalhos da maior importância para o Cavalo Árabe,
proprietária da mais famosa coudelaria dos tempos modernos (Crabbet Park), e do
garanhão que no mundo mais marcou o Árabe actual (Skowronek, o « Cavalo
do Século »).
Numa primeira
fase, o entusiasmo de Lady Wentworth levou-a a afirmar que o Cavalo Árabe era
um caso único, tendo vivido desde a sua criação completamente isolado do
resto do mundo, durante milhares de anos, no Neijd, ao centro da Península Arábica.
Esta teoria, tão
simpática mas extremista, não aceitando absolutamente nenhuma mistura de
sangue no Cavalo Árabe, opõe-se à história da evolução natural do cavalo,
começada na era eucénica há mais de 60 milhões de anos, com um animal
chamado Eohippus (Hyracoterium), de 30 a 45 cm de altura, com 4 dedos nos
anteriores e 3 nos posteriores, e uma dentição de frugívoro.
Muitos outros
autores, como o Dr. Perron e o Major Hupton, sem serem tão categóricos como
Lady Wentworth, são partidários do Cavalo Árabe da Arábia.
O eminentíssimo
Karl R. Raswan, autor de 6 enormes volumes intitulados « Manual do criador
de Cavalos Árabes », escreve: « ...também eu procurei a sua origem na Turquia, na África do Norte, na Síria,
na Palestina e na Mesopotâmia. Hoje, depois de ter atravessado 3 vezes a Arábia,
devo confessar que tanto do ponto de vista científico de Europeu, como no romântico
de Oriental, a superioridade da beleza e da perfeição vai por direito ao
corcel da Península Árabe... Estou agora convencido que o Cavalo Árabe tem
por pátria de origem a Arábia do Sudeste ».
Como vimos e
mesmo tomando em conta os escritos antigos ou os recentes e minuciosos estudos
feitos, uma única conclusão é possível: A procedência do Cavalo Árabe é
infelizmente muito incerta.
Mas podemos
reter certos factos importantíssimos. Com efeito tudo indica que a
individualidade do Puro-Sangue Árabe se formou na austeridade do deserto, nas
dificuldades do nomadismo, na experiência de um clima sem piedade, numa
natureza em que só uma elite sobreviveu, na poeira das batalhas e na
necessidade da caça.
Pessoalmente
acreditamos que a chave do mistério deve ser procurada na antiga Mesopotâmia,
entre o Tigre e o Eufrates, ali mesmo onde viveu uma das primeiras civilizações
do Mundo. De qualquer forma uma coisa é certa, foi naquela região que o cavalo
que se tornaria no actual Puro-Sangue Árabe começou a sua prodigiosa e
vertiginosa carreira, sobretudo por ser utilizado nas tão frequentes guerras
daquela zona geográfica. E foi assim que nele se desenvolveram as suas
fabulosas qualidades de rapidez, de coragem, de sobriedade e de resistência,
que desde logo o distinguiram de qualquer outra raça.
Foi o que
compreendeu o profeta Maomé, que o tornou no mensageiro e defensor da fé,
dando-lhe quase um carácter divino. Para que um homem agrade a Deus é necessário
que possua um cavalo.
Já em 632 o
Cavalo Árabe era a peça principal de um poderoso exército de cavalaria, rapidíssimo,
sem equivalente. A Síria foi conquistada em 636, o Egipto em 641, a Pérsia em
651, e depois, em 711, ao fim de uma incrível travessia do Magreb a cavalaria
militar islâmica entra e avança em Espanha e Portugal, para só mais tarde ser
travada já a meio da França, em Poitiers.
Desde logo o
Cavalo Árabe cruza-se com as outras raças que vai encontrando, introduzindo o
primeiro sangue oriental nas raças locais, dando-lhes a sua distinção, as
suas qualidades funcionais e o seu extraordinário carácter. E isto ao longo de
vários séculos. Não esqueçamos que o sul de Portugal esteve ocupado até
meados do século XIII e que só em 1683 o rei Sobieski da Polónia consegue
travar os cavaleiros otomanos ás portas de Viena ...
E é assim que
se inicia a extraordinária expansão mundial do Puro-Sangue Árabe, hoje
presente em todos os continentes e em quase todas as raças cavalares, que sem
excepção fundou ou melhorou, a tal ponto que podemos afirmar que sem o Cavalo
Árabe o panorama equino actual seria totalmente diferente.
Enfim, mesmo
se a proveniência da raça Puro-Sangue Árabe é perfeitamente incerta, aqueles
que como eu gostam apaixonadamente daquele nobre cavalo e que são um pouco
romanescos, acharão nesta incerteza o mistério e o misticismo orientais que tão
bem convêm ao único cavalo que, pela grande antiguidade da sua raça, sua fantástica
selecção natural e humana, e cuidadosa preservação das suas origens e
características, pode ostentar de pleno direito o título de Puro Sangue. MH
2ª PARTE –As características do Puro-Sangue Árabe 3ª PARTE –A criação actual do Puro-Sangue Árabe 4ª PARTE –O Puro-Sangue Árabe em Portugal
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