Associação Portuguesa do Cavalo Árabe

Associação Portuguesa do Cavalo Anglo-árabe

Associação portuguesa do Cavalo luso-árabe

 

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1ª PARTE – De onde vem o Puro-Sangue Árabe   2ª PARTE –As características do Puro-Sangue Árabe
 
3ª PARTE –A criação actual do Puro-Sangue Árabe    4ª PARTE –O Puro-Sangue Árabe em Portugal

 

Onde encontrar nobreza sem arrogância,
amizade que não seja cobiça e beleza sem vaidade ?

Puro-Sangue Árabe

  Passado e presente

 

4ª parte: O Puro Sangue Árabe em Portugal

Com as mais antigas fronteiras da Europa, Portugal foi desde o seu início um país de equitadores onde o cavalo foi sempre considerado um aliado e um amigo.

Com uma tão antiga tradição, não admira que os portugueses tenham desde sempre venerado o Puro Sangue Árabe, com o misticismo da sua origem, a magia das suas formas, a vivacidade, nobreza, inteligência e bondade do seu carácter, e com a sua influencia tão benéfica sobre todas as raças.

 

A excelência do PSA
           na corrida de toiros

Não sabemos ao certo quando foi introduzido na Península Ibérica o Cavalo Árabe, mas parece não haver dúvida que o mais tardar em 711, a invasão islâmica trouxe para terras hoje portuguesas numerosos cavalos orientais, que deixaram certamente grandes marcas, dado que a presença árabe no extremo sul de Portugal durou até ao século XIII (1248).

No século XVI, a pioneira expansão Lusitana no Mundo levou os Portugueses a dominarem muitos mercados orientais, trazendo para o nosso país o que de mais raro neles existia. Porque não Cavalos Árabes ?  Não fala o historiador Damião de Góis (1502-1574) dos presentes enviados por D. Manuel I ao Papa Leão X, que juntamente com especiarias, jóias « que de memória de homem nunca se vira » e elefantes, contavam « uma onça de caça sobre uma manta bordada a ouro que cobria a garupa de um magnifico cavalo persa » ?  E para confirmar que era hábito o Rei de Portugal receber como presentes cavalos orientais, não fala o mesmo escritor de um esplêndido Cavalo Persa oferecido pelo Rei de Ormuz ao monarca português ?

A partir do século XVIII os cavalos orientais distinguem-se particularmente. Na Grã-Bretanha eles dão origem ao Puro Sangue Inglês, na Rússia ao Orloff, e, no século XIX, em França, ao Anglo Árabe. Neste país, a campanha de Napoleão no Egipto acentuou aquela tendência, trazendo para a corte francesa a moda do Cavalo Árabe, a montada preferida do Imperador. E assim, quase toda a Europa foi invadida por garanhões orientais, moda que não deixou de influenciar Portugal, como documentam as importações feitas do Egipto e de Constantinopla em 1812, 1861, 1867, 1872 e 1876.

Destas importações, não há descendência pura conhecida, e para a história do PSA em Portugal, só as aquisições feitas em 1902 e 1903 em Beirute, Constantinopla e Djeddah, têm interesse por a sua descendência ainda hoje estar representada. Foram importados naquela ocasião 3 machos (Fehran, Dehiman e Nemyr) e 4 fêmeas (Saada, Nazly, Fhara I e Fhara II). A Saada trazia no ventre o Pakir, tendo a excelente descendência deste último, bem como a de sua mãe, a da Nazly e a do Fehran, chegado aos nossos dias em raça pura. As extraordinárias Nazly e Saada, da casa de Beih Abdel Melek, podem considerar-se as matriarcas das mais antigas linhas árabes portuguesas.

Em 1921 e 1935 foram importados vários animais da Grã-Bretanha, entre os quais os óptimos cavalos Fursan e Silfire, de Crabbet Park, a famosa coudelaria fundada por Lady Blunt, neta de Lord Byron.

Em 1932, fez-se a primeira importação de animais do grande criador que foi o Duque de Verágua, descendente de Cristóvão Colombo. Esta compra foi completada em 1961 pela importação da preciosa éguada de António Egea Delgado, também Verágua.

 

O grande importador de "Veraguas", Guilherme Gyão,
        entre S.A.R. o actual Rei de Espanha e S.A.R. a Infanta D. Pilar

Muitas outras grandes linhas foram depois introduzidas em Portugal, como as de Comet (Abu Afas e Carmen por Tripolys), de Wielki-Szlem (Ofir e Elegantka por Bakszysz), de Elokuencja (Rozmaryn e Ela por Miecznic), de Flipper (Gosse du Bearn e Fleur d’Avril por Meko), de Djerba Oua (Dragon e Dorée II por Kriss II), de Piruet (Probat e Pieczec por Palas), de Shazamah (Shah Gold e Bazama por Al Marh Radames), de Golden Sceptre (Mikonos e Shazala por The Shah), de RR Magic Count (Mc Coys Count e Regla’s Rose Flame por Indian Flame II), de Nil (Sid Abouhom e Malaka por Kheir), de Nitochka (Naseem e Tarazca por Enwer Bey), de Pomeranets (Priboj e Mammona por Offir), de Klinika (Korej e Naturalistika por Naseem), de Jacyo, de El Shakland, de Shaker El Masri, etc.

Para evitar qualquer erro, sempre possível por, como no resto do mundo, o cavalo árabe ter sido muito utilizado para melhorar raças locais, nenhum animal existente em Portugal antes de 1902 foi inscrito no Stud Book, e só os animais importados posteriormente e seus produtos foram admitidos como raça pura.

Este rigor, a exactidão dos Registos Oficiais das Coudelarias Nacionais e da APCRS, e a recente hemotipificação obrigatória, são uma garantia indiscutível da pureza do Árabe nacional. Esta pureza, junta à severidade da selecção dos reprodutores, fazem do Árabe Português um dos mais solicitados do mundo e certamente também um dos melhores.

Tendo sempre considerado que o Árabe tem outras qualidades além da beleza, que pode e deve ser utilizado como qualquer outro cavalo por não lhe ser inferior, e atendendo a que o mais bonito dos cavalos sem aptidão funcional serve apenas para entretimento, os responsáveis pela raça tudo fizeram para preservar simultaneamente as qualidades estéticas, mentais e atléticas da mais antiga e prodigiosa das raças conhecidas.

Esta preocupação, que foi responsável pela grande qualidade da criação de Cavalos Árabes em Portugal, levou as autoridades oficiais a, desde 1934 e quase durante meio século, procederem a uma selecção dos reprodutores extremamente severa e sem precedentes.

Assim, para provar o valor real dos animais, a Coudelaria Nacional Portuguesa fazia uma primeira selecção dos poldros e poldras aos 3 anos, e dos garanhões aos 6 anos, só admitindo como reprodutores os cavalos que obtivessem uma nota satisfatória na arvore genealógica, no modelo, nos andamentos e nas provas funcionais. Estas, na sua fase mais dura, eram constituídas por:

- um cross de 3.000 m com 15 obstáculos até uma altura máxima de 1,20 m, a percorrer à velocidade mínima de 600 m/minuto;
           - uma corrida de 2.500 m, à velocidade mínima de 700 m/minuto;
           - uma prova de salto de obstáculos, com 12 esforços, a uma altura máxima de 1,20 m;
           - uma prova de estrada de 70 km, à velocidade de 20 km/hora;
           - uma prova de ensino, semelhante ás utilizadas em CCE, para melhor avaliar as qualidades mentais e motoras do animal;
           - um exame clínico pormenorizado.

Evidentemente, os animais sujeitos a estas provas eram previamente treinados para poderem fornecer o grande esforço exigido.

Esta selecção, que pensamos ser uma das mais duras até hoje realizadas no mundo, fez do Árabe português um animal de excepção, um cavalo robusto e belo que guardou todas as qualidades morais e funcionais de outrora.

Provam-no animais como os campeões Cejuba El Berana, Juxito, Ohxul Ben Biarritz, Reject Ibn Biarritz, Aicha Ibn Biarritz, Qkyjul Ibn Biarritz, Diniz Met Biarritz, etc., e os muitos títulos obtidos por PSA portugueses em modelo e andamentos e em provas desportivas : Campeão dos Campeões no México, Campeão dos Campeões no Brasil, Campeão dos Campeões em Espanha, seis vezes Campeões da Europa, cinco vezes Vice-Campeões da Europa, duas vezes quintos em Campeonatos do Mundo, e em França varias vezes os maiores vencedores de corridas para PSA. Neste país, os filhos das éguas Oxylla Ben Biarritz e Nacayhr Ben Biarritz, Dunixi e Blaise (garanhões do Estado Francês), têm produzido de forma excepcional, fundando ilustres linhas de cavalos de corrida, de desporto e de ócio. Como exemplo, assinalamos a medalha de prata obtida em Outubro de 2001, no Campeonato da Europa de Concurso Completo, por Baba au Rhum, filho de Dunixi.

 

No campo, o Campeão da Europa e de Portugal Ohxul Ben Biarritz (PSA),
            2º no Grande Prémio de Paris de Ensino (todas as raças)  

 

Os PSA portugueses, muitas vezes favoritos em Provas de Fundo, também revelam a sua excepcional coragem e mobilidade na Corrida de Toiros à Portuguesa, onde encontramos « estrelas » como Gramático, Imoral, Jasmim, Valoroso, Xistre, etc.

Enfim, é importante notar que muitos Puro Sangue Árabe com origem portuguesa participaram com o maior êxito em provas para cavalos de todas as raças. A título de exemplo citamos unicamente alguns resultados da Coudelaria MH – Haras de Biarritz em disciplinas olímpicas (onde raramente encontramos o Cavalo Árabe):

Em CSO:  - Finalista do « Cycle Classique », cavalos de 4 anos, Fontainebleau, França, 1983
- 9º maior ganhador de França, cavalos de 6 anos, 1985.

Em Ensino: - 2º no Grande Prémio de Paris, França, 1981
   - 3º no Concurso de Madrid, Espanha, 1984
   - Campeão da classe internacional, Portugal, 1986
   - Vencedor do Top Equestre, Portugal, 1986 e 1987
   - Pré-seleccionado para os Jogos Olímpicos (onde não chegou a ir por ter morrido).

Em CCE: - 3º no Campeonato de França de Exterior, AA, Pau, França, 1981 (em que participou com uma autorização especial por ser um PSA)
- 1º da CCE de Mafra, Portugal. 1984
- 1º do CCE de Mafra, Portugal, 1985

 

Assim, como os povos de outrora, que durante séculos souberam preservar as fantásticas qualidades do Puro Sangue Árabe, Portugal é um dos poucos países que souberam manter na raça os dons excepcionais de beleza, de carácter e de eficácia funcional, o que contribui não só para o melhoramento da raça mas também para o progresso de todas aquelas que com ela se cruzarem.

                                                                                                     Manuel Heleno  

 

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Última actualização: 10 novembre 2012